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28/02/2011 17:02 h
O feminismo em Clarice Lispector
TEXTO DIVULGAÇÃO

“A mulher só ocupa o espaço interno e o homem, o espaço público”, declarou certa vez Clarice Lispector. Crítica atenta da sociedade brasileira, a poeta tem sua face feminista revelada em Nem musa, nem medusa: itinerários da escrita em Clarice Lispector (Editora da UFF, 160 p.), de Lucia Helena, que chega à sua terceira edição, revista e ampliada. No livro, a autora, professora titular de literatura brasileira da Universidade Federal Fluminense, centraliza seu estudo em três obras de Lispector: Laços de família, A hora da estrela e Água viva, por meio das quais persegue respostas a algumas inquietações relativas ao sujeito, à escrita e à história, marcando com especial argúcia a presença do discurso feminino na literatura brasileira, sem, no entanto, assumir bandeiras feministas.
 

“Os estudos realizados sobre a obra de Clarice Lispector, até hoje, valorizam os aspectos metafísicos e existenciais dessa autora considerada ‘difícil’, devido à sua linguagem perturbadora que mais parecia confundir o leitor desacostumado de lidar com as artimanhas de um discurso que, embora simples, baseado em fatos corriqueiros e banais, quase sempre centralizados em mulheres da classe média alta urbana, apresentava um mundo novo e perturbador, desestabilizador da ordem aparente. Sem esquecer a importância de trabalhos como os de Benedito Nunes, Antonio Candido, Berta Waldman, Roberto Corrêa e outros citados na bibliografia final, Lucia Helena vai mais além e nos apresenta uma Clarice vista sob leituras da crítica do feminismo norte-americano, no caso, os estudos de gênero, chamados pertinentemente pela ensaísta de ‘gender’, mostrando como Clarice Lispector questiona o mundo patriarcal em que os limites estão culturalizados e ‘genderizados’. [...] Lucia Helena diz que ‘não ousaria afirmar, com Hélene Cixous, que a escrita em Lispector é um exemplo da écriture féminine’, mas com toda certeza ‘o seu texto promove a emergência e a inscrição do sujeito feminino na história, através de agudíssima crítica, feita pela autora’” (Sylvia Paixão).

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