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18/07/2012 12:40 h
Artigo: A importância dos parques urbanos
Por: Elisamara Nascimento/Glaucio Genuncio/Talita Matos

A ocupação desordenada das grandes cidades gera problemas na qualidade ambiental destes espaços. Neste sentido, repensar a importância dos espaços verdes remanescentes nas cidades com a criação de novos espaços, é fundamental para melhoria da qualidade de vida da população. Portanto, todos os espaços verdes da cidade podem ser pensados como unidades de conservação urbana, sendo espaços significativos para a qualidade ambiental desde um quintal privado, uma calçada, um canteiro central de uma avenida, uma praça, áreas de trânsito de veículos, bem como as áreas maiorescomo os nossos parques. Todos esses espaços são importantes quando pensamos nos serviços ambientais que prestam a cidade. Os parques urbanos são espaços democráticos, onde todos podem ter acesso ao que a natureza nos possibilita de mais belo: a convivência das diferentes espécies de vida em plena cooperação.
 

Um dos maiores exemplos que temos hoje no nosso país é o Parque Nacional da Tijuca (Parna-Tijuca ou PNT), com seus 3.953 ha de área. A área é um fragmento do bioma da Mata Atlântica e parte integrante da Reserva da Biosfera no Rio de Janeiro, criado em 6 de julho de 1961, e é atualmente o parque nacional mais visitado do Brasil, recebendo mais de 2 milhões de visitantes por ano.
 

O parque é dividido em quatro setores (Floresta da Tijuca, Serra da Carioca, Pedra Bonita/Pedra da Gávea e Pretos Forros/Covanca) e, corresponde a cerca de 3,5% da área do município do Rio de Janeiro. Destaca-se na paisagem por constituir-se de um grande maciço “verde”, situado no centro de uma metrópole com aproximadamente seis milhões de habitantes.
 

Ao longo dos séculos XVII e XVIII, a área onde hoje fica o Parque Nacional da Tijuca foi, em sua maior parte, devastada através da extração de madeiras e da utilização em monoculturas, especialmente o café, gerando sérios problemas ambientais à cidade. Em 1861, numa iniciativa de conservação pioneira ordenada por D. Pedro II, um processo de desapropriação territorial e de reflorestamento propiciou a regeneração natural da vegetação, resultando na exuberante floresta que existe hoje. Mesmo secundária, essa floresta exerce um importante papel na conservação de muitas espécies da flora e da fauna, abrigando também espécies endêmicas, raras ou ameaçadas de extinção.
 

Inúmeros serviços ambientais oferecidos pelo Parque são fundamentais para a cidade, tais como a manutenção do manancial hídrico, o controle da erosão, a amenização de enchentes, a atenuação das variações térmicas, a regulação climática local, a redução das poluições atmosférica e sonora e a manutenção da estética da paisagem natural local.
Seu relevo montanhoso e a presença de áreas muito íngremes, onde se destacam o Pico da Tijuca, com 1.021 metros, a Serra da Carioca, onde se localiza o Corcovado, com 710 metros, o conjunto Pedra Bonita/Pedra da Gávea e a Serra dos Pretos-Forros & Covanca, conferem ao Parque Nacional da Tijuca uma beleza cênica única, contrastando o verde da mata com as superfícies rochosas e o mar.
 

O patrimônio natural é sem dúvida o mais conhecido e consagrado no Parque, mas a ocupação do homem ao longo de quatro séculos, gerou uma valiosa herança histórico-cultural que hoje se constitui em um importante acervo a ser preservado.
Através dos anos, o Parque Nacional da Tijuca tornou-se uma importante área de lazer, proporcionando meios para a prática de esportes e a contemplação da natureza. A existência de marcos e símbolos da cidade do Rio de Janeiro, e mesmo do país, como a estátua do Cristo Redentor, a Pedra da Gávea, a Vista Chinesa, a Capela Mayrink a Mesa do Imperador e o Parque Lage, transformou o Parque em um ponto de atração turística de nível internacional.
 

Com as múltiplas interfaces entre cidade e floresta, a gestão do território apresenta-se de maneira complexa e intensa. O dia a dia da unidade passa por temas diversos como segurança pública, práticas religiosas, incêndios florestais, pesquisa, monitoramento, manejo, imprensa, produções cinematográficas, esportes, turismo, assistência social, educação ambiental, participação e controle social, voluntários, contratos, licenciamento, fiscalização e política. Para enfrentar esse desafio o Parque é subordinado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da BiodiversidadeICMBio, autarquia do Ministério do Meio Ambiente, e sua gestão é realizada de maneira compartilhada entre os governos federal, estadual e municipal.
 

O Estado do Rio de Janeiro conta hoje, com vários parques urbanos localizados em diferentes cidades. Um outro exemplo de parque urbano em grandes centros é o Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET), criado em 1991 graças a uma intensa mobilização comunitária dos municípios de Niterói e Maricá. Desde 1992 o parque é reconhecido pela Unesco como parte integrante da Reserva da Biosfera da Floresta Atlântica e atualmente é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas.
 

Com 2.260 hectares, o parque protege áreas de Mata Atlântica, costões rochosos, restinga, mangue e banhados, o que o torna um refúgio para a fauna e uma área de crescente interesse para a pesquisa científica e educação ambiental. Nos relatos antigos aparece como Serra de Inoã ou de Maricá. O nome atual está relacionado às tiriricasnome popular de uma planta invasora da família das Cyperaceaesque enchiam o caminho usado pelas tropas de burros como passagem.
 

Além de trilhas, de diversos tipos de dificuldade e vegetação, o parque possui um mirante e um córrego de fácil acesso, transformando o passeio em diversão para todos os tipos de público.
Com estes exemplos podemos perceber que os parques urbanos precisam ter a devida importância nas políticas públicas voltadas para a questão ambiental e de desenvolvimento sustentável. Na medida em que se oferece espaços social e ambientalmente saudáveis para o convívio e lazer da população, está se investindo em qualidade de vida e do ponto de vista econômico, as despesas com parques e jardins públicos apresenta relação custo-benefício positiva pois gera um alto lucro social pra a população e aumenta o IDH (índice de desenvolvimento humano) da comunidade envolvida.


Elisamara Nascimento/Glaucio Genuncio/Talita de Santana Matos
Engenheiros Agrônomos/Paisagistas
Zeólita Consultoria e Assessoria - (21) 8116-3130
Maiores informações em: http://www.parquedatijuca.com.br www.parqueserradatiririca.org/content/view/19/
 

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